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Notícias Especiais Natal O Natal ao redor do mundo - As comemorações dos cristãos ortodoxos gregos e russos
O Natal ao redor do mundo - As comemorações dos cristãos ortodoxos gregos e russos
Seg, 20 de Dezembro de 2010 23:45


Natal pelo Mundo

Na segunda reportagem, as festividades nos países que mais representam a Igreja Ortodoxa do Oriente, uma dissidência da Igreja Católica Romana.
A Igreja Católica Romana passou por vários cismas religiosos ao longo de seus mais de dois milênios de história.


Dois deles são bem significativos e ocorreram no século 11, quando um grupo de cristãos decidiu manter ritos e dogmas mais ortodoxos dentro da religião; e no século 14, quando Martin Luthero liderou a Reforma Protestante.


Por volta do ano 1050, cristãos gregos, russos, eslavos e até do norte da África reuniram-se na Igreja Ortodoxa do Oriente para seguir, rigidamente, os ritos bizantinos formulados no século quarto, na antiga Constantinopla.


Atualmente, os principais ramos dessa vertente cristã são os ortodoxos russos e gregos, que preservam, até hoje, formas bem tradicionais de celebrar o nascimento de Jesus Cristo.


Ex-república soviética, a Ucrânia abriga cristãos de várias denominações, mas a maioria da população segue a Igreja Ortodoxa Russa.


A diferença entre os calendários juliano, seguido pelos ortodoxos, e gregoriano, adotado aqui no ocidente, faz com que o Natal seja comemorado lá, somente em 7 de janeiro.


O cunho da festa é bem espiritual. Na véspera, dia 6, é feito um ritual de renovação dos lares, com a limpeza profunda de todos os cômodos.


A pessoa mais velha da casa percorre sala, quartos, cozinha, quintal e até os estábulos, levando pão, sal e água benta. Em cada cômodo, são entoados cânticos e orações para retirar eventuais impurezas do ambiente.


O cônsul ucraniano Vasyl Pasichnyi explica como seu país celebra o natal.


"O evento principal da celebração é a véspera do Natal, na noite do dia 6. Esse evento se chama Schiatei Vétcher, que pode ser traduzido como a ´noite sagrada´, quando, no céu, aparece a primeira estrela, que significa o nascimento de Jesus. E, a partir desse momento, a família pode começar o seu jantar. E, depois desse jantar, os jovens passam pelas cidades ou pelas aldeias e cantam canções especiais de Natal, entram em cada porta e o dono da casa tem que os cumprimentar e apresentar algum presente. Presentes simples, como bombom e outras coisas doces".


Vasyl conta que essa tradição dos cantos natalinos, chamados de kólhadas, costuma ser acompanhada de uma pequena peça teatral ambulante, conhecida como Vertép.


Nessas encenações, os cantores vestem trajes típicos da Ucrânia e carregam uma réplica da estrela de Belém para anunciar o nascimento do filho de Deus. E a música também tem presença marcante nas celebrações religiosas dentro da igreja ortodoxa.



A ceia dos cristãos ortodoxos tem características bem peculiares. Ela é constituída de 12 pratos, que representam os meses do ano e os apóstolos de Cristo. Vasyl Pasichnyi revela que cada membro da família deve, pelo menos, provar os 12 pratos.


Os animais da casa, que também são considerados "criaturas de Deus", têm direito a saborear os quitutes de natal. E que ninguém se atreva a sair limpando a mesa logo após a ceia: é preciso dar um tempinho para que os mortos da família venham se alimentar.


"A mesa de 12 pratos. Temos o prato principal, que o pai da família coloca no lugar principal da mesa. Depois do jantar, eles não tiram os pratos da mesa e os deixam para as almas dos parentes que já morreram. Por isso, é festa mais religiosa".


Assim como acontece na Ucrânia, a ceia de Natal da Rússia apresenta detalhes bem específicos. Um deles diz respeito ao cardápio. Mel, grãos e frutas prevalecem na mesa, mas a carne é proibida nas festas dos ortodoxos russos.


Mas havia um sério problema até uns 20 anos atrás, quando alguns países de forte tradição religiosa estavam sob o domínio do comunismo soviético.


A esotérica Linda Milovic, hoje radicada no Brasil, nasceu na antiga Iugoslávia, em território da atual República da Sérvia. Linda conta que era difícil expressar a religiosidade naquela época.


"Como na Iugoslávia, a gente teve comunismo - traduzindo: a religião era proibida -, antigamente, antes dos anos 90, a gente teve medo de mostrar a preferência religiosa. Então, a gente comemorava o Natal oficial de 25 de dezembro, que nunca foi o Natal das famílias, nunca foi o Natal dos sérvios ortodoxos. O Natal cai no dia 7 de janeiro, quando se prepara o jantar, acende as velas, dá-se um giro com luz em volta da igreja do lado de fora, com procissão. Aquela vela, leva-se para a casa, o espírito santo entrando em casa".


A repressão política à religião acabou, mas, segundo Linda, o tradicionalismo religioso do Natal sofre agora outro tipo de ataque: a invasão das celebrações globalizadas em padrões comerciais.


"A Sérvia também não fugiu dessa globalização. É cada dia mais, cada dia mais: compram-se presentes, comercializa-se. Mas aquela coisa mais profunda da fé, eu acho que continua do mesmo jeito".


A Ucrânia passa pelo mesmo processo de globalização. Mas o consul Vasyl Pasichnyi garante que, por lá, os aspectos religioso e comercial do Natal ainda estão bem separados.


"Geralmente, a figura de São Nicolau, Santa Claus ou Papai Noel é a figura da festa de ano novo, que acontece no dia primeiro de janeiro. É também nesse mesmo dia que tem-se o costume de dar presentes para crianças. Mas no dia 7, dia Natal, não: na Ucrânia, essa festa (do Natal) não está conectada com São Nicolau ou com "Papai Noel".


O calendário juliano, seguido pelos cristãos ortodoxos, surgiu na época do imperador romano Júlio César, lá pelo ano 46 antes de Cristo.


Só bem mais tarde, por volta do século 16 da era cristã, foi que o Papa Gregório 13 fez algumas alterações nos dias dos meses e criou o calendário gregoriano, usado aqui no Brasil e na maioria dos países ocidentais.


Rádio Câmara
De Brasília, José Carlos Oliveira
 
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