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Notícias Saúde Estatística Saúde - Atendimento a motociclistas aumenta 14% em cinco anos no Hospital das Clínicas de SP
Saúde - Atendimento a motociclistas aumenta 14% em cinco anos no Hospital das Clínicas de SP
Seg, 16 de Abril de 2012 16:03


O número de motociclistas atendidos no pronto-socorro do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) aumentou 14% em cinco anos, de acordo com levantamento feito pelo hospital. Enquanto isso os atendimentos a acidentados automobilísticos caiu 35% no mesmo período. Segundo o levantamento feito entre 2006 e 2011, os motociclistas são 44% das vítimas de acidente de trânsito atendidos pelo hospital.

Por conta desse aumento e do tipo de lesões, cada vez mais graves, o cirurgião do IOT, Marcelo Rosa Rezende e a fisiatra Júlia Greve criaram, há seis meses, o blog HC em Movimento. O blog pretende reunir os acidentados de motos e seus familiares para que eles se expressem . “É um blog aberto iniciado pelos pacientes da instituição. Eles colocam depoimentos e tudo o que envolve os problemas do acidentado de moto. Já temos mais de 10 mil acessos”, diz o cirurgião.

Rezende ressaltou que ambos participam da iniciativa porque lidam diretamente com os acidentados e observam a gravidade das lesões. “No tempo em que estamos atuando nessa área e tentado alertar as pessoas, pensamos que o blog seria uma forma de tornar os personagens desses dramas as pessoas que colocam o tema em discussão, para que alguém tome uma atitude efetiva para reverter esse quadro e diminuir esses números”.

Na avaliação do médico o aumento dos acidentes de motocicleta ocorre porque os carros têm mais proteção do que as motos, além das regras de trânsito disciplinarem melhor o uso do automóvel. “Associado ao aumento de motos circulando há o aumento do número de acidentes, que são na maioria muito graves e que deixam sequelas”.

O médico explicou que na maioria dos acidentes a principal parte do corpo atingida são as pernas (60%), porque normalmente essa é a região atingida por conta das colisões com os carros. “Mas há também as lesões no membro superior, medulares, neurológicas. Muitos desses casos têm desdobramentos porque a pessoa fica com falta de movimento ou sensibilizada nos membros inferiores e superiores, muitas vezes definitiva”.

Rezende disse que até agora as autoridades não criaram medidas efetivas que tenham de fato interferido nesse quadro e o ideal seria que houvesse um melhor controle de velocidade, da qualidade das motocicletas que circulam pela cidade, definição da área de trânsito e uma melhor formação do motociclistas. “É preciso levar em conta que ele está em um transporte que tem mais riscos e ser mais rígido na formação no momento em que a pessoa vai adquirir a habilitação”.
 
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